Associação Serpiá: mais de 20 anos de compromisso com a saúde mental infanto-juvenil em Pinhais

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Desde 2001, a Serpiá tem transformado vidas, oferecendo atendimento gratuito para crianças e adolescentes em sofrimento psíquico
Desde 2001, a Serpiá tem transformado vidas, oferecendo atendimento gratuito para crianças e adolescentes em sofrimento psíquico

Piá: essa palavra tão comum no Paraná significa menino, criança mesmo. Quer nome mais apropriado para um projeto que envolva crianças do que este: Serpiá? Mas o que precisa para uma criança “ser piá” de verdade? Cuidados? Oportunidades? Atenção de pessoas dedicadas?

Hoje vamos descobrir tudo isso.

Sede da Serpiá
Sede da Serpiá


A história
A trajetória da Associação Serpiá teve início em 2001, quando a psiquiatra Maria Carolina Oliveira Serafim e a assistente social Ingrid Cadore idealizaram um projeto inovador para atender crianças e adolescentes com dificuldades no desenvolvimento. Batizado de SERPIÁ – Serviço de Psiquiatria da Infância e Adolescência –, o programa foi implantado no Ambulatório do Hospital Psiquiátrico Nossa Senhora da Luz, da PUCPR, e oferecia um modelo de atendimento interdisciplinar, integrando profissionais de Psicologia, Terapia Ocupacional, Musicoterapia, Fonoaudiologia e Psiquiatria. 

A proposta era proporcionar um atendimento humanizado e eficiente, permitindo que diferentes especialidades trocassem informações e atuassem em conjunto. Um dos destaques do projeto foi a brinquedoteca, concebida e coordenada por Ingrid Cadore, que via no brincar um importante instrumento terapêutico para crianças em tratamento.

O sonho de ampliar o alcance do projeto se concretizou em 2003, quando parte da equipe fundadora se desligou da PUCPR e formalizou a Associação Serpiá como uma Organização Não Governamental (ONG). Instalada no bairro Alto da XV, em Curitiba, a nova entidade manteve a essência do modelo interdisciplinar, mas com um diferencial: um olhar mais próximo sobre a realidade das famílias e um esforço para estabelecer diálogo com escolas e professores das crianças atendidas. Em 2004, a Serpiá foi convidada pela Secretaria de Saúde de Curitiba para desenvolver e implantar o primeiro Centro de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPSi) da cidade, no bairro Pinheirinho, onde atuou até 2006. No mesmo ano, a ONG passou a oferecer um curso de formação de educadores brinquedistas e organização de brinquedotecas, certificado pela Associação Brasileira de Brinquedotecas (ABBri), iniciativa que teve dez edições até 2015.

Desde 2015, a sede da Serpiá foi transferida para Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, fruto de uma parceria com a prefeitura do município e a associação de moradores do bairro Atuba. A mudança ampliou o impacto da ONG, que passou a atender crianças e adolescentes de diversas cidades, como Pinhais, Curitiba, Piraquara e Colombo. Em 2023, ao completar 20 anos de existência, a Serpiá contabilizou 110 mil atendimentos clínicos e o apoio a mais de 3 mil crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social e emocional.

Atualmente, muitas crianças e adolescentes são atendidos semanalmente, sendo 100% dos serviços prestados de forma gratuita, graças a convênios com a Secretaria Municipal de Educação de Pinhais (SEMED) e o Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente (CEDCA), vinculado à Secretaria da Justiça, Trabalho e Família do Paraná (SEJUF). Com um legado consolidado e em constante evolução, a Serpiá segue como referência no atendimento à saúde mental infantojuvenil na região.

Serpiá
Serpiá

Conversamos com Amanda Seixas Terra, coordenadora técnica da Serpiá, para conhecer melhor este projeto especial que há anos faz a diferença na vida de várias crianças e adolescentes.


Metropolitano JC: Quantas crianças e adolescentes a Serpiá atende atualmente? Há uma demanda maior do que a capacidade de atendimento?
Amanda Seixas Terra: Em fevereiro de 2025, atendemos 183 crianças e adolescentes. No entanto, há uma fila de espera com 286 crianças aguardando atendimento, o que mostra a alta demanda por nossos serviços.

Metropolitano JC Como funciona o processo para uma família que precisa de ajuda? Quais são os critérios para o acolhimento?
Amanda Seixas Terra: Todos os atendimentos da Serpiá são gratuitos e passam por uma fila de espera. As crianças e adolescentes chegam até nós principalmente por encaminhamentos das escolas, em parceria com a Secretaria de Educação de Pinhais.

Metropolitano JC: Então nessa modalidade o poder público tem participação direta. Quais são as outras formas de atendimentos?
Amanda Seixas Terra: Sim, contamos com outras formas de acolhimento. Tem o Projeto de Permanência, em que psicólogos em formação recebem supervisão profissional, e o custo dessa supervisão financia atendimentos. Temos também apadrinhamento por pessoas físicas ou jurídicas financiam o tratamento de uma criança ou adolescente por pelo menos seis meses. Além disso, oferecemos apoio às famílias por meio do nosso serviço social, grupos de pais e encaminhamentos para a rede de assistência do município, conforme a necessidade de cada caso.

Além disso, oferecemos apoio às famílias por meio de acolhimentos sociais, grupos de pais e encaminhamentos para a rede de assistência do município, conforme a necessidade de cada caso.

Metropolitano JC: Quais são os principais tratamentos oferecidos? Há acompanhamento multidisciplinar?

Amanda Seixas Terra: Atendemos crianças e adolescentes de 0 a 17 anos que estão em sofrimento psíquico, oferecendo suporte em diversas especialidades: Temos brinquedoteca, fonoaudiologia, musicoterapia, oficinas terapêuticas, psicologia, psiquiatria, serviço social e terapia ocupacional. Esses atendimentos acontecem de forma interdisciplinar.

Metropolitano JC: Como é essa abordagem?
Amanda Seixas Terra: Entendemos que somos uma clínica interdisciplinar: diariamente, os profissionais se reúnem para relatar, discutir e pensar sobre os casos, nessas reuniões também se formam grupos de estudos para aprofundamento dos conhecimentos e manejos clínicos.

Metropolitano JC: Há  aumento nos casos de transtornos psíquicos entre crianças e adolescentes? A que fatores isso pode estar relacionado?
Amanda Seixas Terra: Sim, percebemos um aumento significativo nos diagnósticos e no número de crianças que apresentam sofrimento psíquico, inclusive em idades menores.

Metropolitano JC: O que causa tudo isso?
Amanda Seixas Terra: Alguns fatores que podem estar relacionados são maior conscientização da sociedade sobre a importância do tratamento na infância e adolescência; aumento do tempo de exposição a telas e eletrônicos e impactos da pandemia, que afetaram as relações sociais e o desenvolvimento infantil.

Metropolitano JC: Quais são os principais desafios para manter o funcionamento da Serpiá? A captação de recursos é uma dificuldade?
Amanda Seixas Terra: Nosso maior desafio é a captação de recursos livres, já que muitas fontes de financiamento cobrem apenas despesas diretamente ligadas aos atendimentos, mas não os custos essenciais para o funcionamento da instituição

Metropolitano JC: Quais são esses custos?
Amanda Seixas Terra: Salários de funcionários administrativos, contas rotineiras como aluguel, água, luz, internet e telefone e, também, insumos para oficinas terapêuticas. Temos materiais de higiene, limpeza e expediente, além de brinquedos e outros itens para os atendimentos. Precisamos constantemente buscar doações e novas parcerias para garantir nossa sustentabilidade.

Metropolitano JC. Serpiá recebe apoio suficiente de órgãos públicos?
Amanda Seixas Terra: Atualmente recebemos recursos públicos apenas por meio de um termo de colaboração com o município de Pinhais, estabelecido via edital. No entanto, esse recurso tem um valor máximo e só pode ser usado em despesas específicas.

 

Serpiá
Serpiá

 

Metropolitano JC: Quais as outras fontes de recursos?
Amanda Seixas Terra: Para cobrir outros custos indispensáveis, contamos com doações de pessoas físicas e jurídicas, mensalidade de associados e venda de produtos no bazar da Serpiá. Além disso, buscamos ampliar nosso financiamento participando de editais estaduais e municipais.

Metropolitano JC: Como a comunidade pode ajudar a Serpiá? Há formas de voluntariado ou campanhas de arrecadação?
Amanda Seixas Terra::Sim! Existem várias formas de apoiar nosso trabalho. É possível fazer voluntariado ou estágio em nossos programas estruturados para quem deseja contribuir. Dá para apadrinhar uma criança e ajudar a custear um atendimento por um período mínimo de seis meses. As pessoas podem fazer contribuições em dinheiro, materiais de uso diário e brinquedos e também participar do nosso bazar, comprando ou doando itens para venda, você ajuda a manter nossos atendimentos.

Metropolitano JC: Quais são os planos futuros da Serpiá? Há projetos para expandir o atendimento?
Amanda Seixas Terra: Estamos desenvolvendo três novos projetos e um deles é a ampliação do atendimento. Captamos recursos via Imposto de Renda para atender crianças e adolescentes de todo o Paraná. Outra ideia em andamento é uma parceria com o Fundo da Infância e Adolescência (FIA-PR), um projeto em aprovação para atender bebês, crianças e adolescentes encaminhados pela Secretaria Municipal de Saúde de Pinhais. Por fim, temos capacitação de profissionais com formação de profissionais que trabalham direta ou indiretamente com a infância.

Metropolitano JC:  Qual mensagem a Serpiá gostaria de deixar sobre a importância da saúde mental na infância e adolescência?
Amanda Seixas Terra: Nosso objetivo é oferecer mais suporte e alcançar mais famílias que precisam de atendimento. Acreditamos que todas as crianças e adolescentes devem ter seus direitos garantidos e respeitados. A saúde mental precisa ser tratada com seriedade, com serviços especializados que considerem sua singularidade.

Metropolitano JC: O que é essencial nessa missão?
Amanda Seixas Terra: É essencial criar espaços seguros onde crianças e adolescentes possam se expressar por meio do brincar, do lúdico e da arte, garantindo um desenvolvimento saudável. Além disso, é importante que os adultos estejam atentos para identificar sinais de sofrimento e buscar apoio profissional sempre que necessário.

Desde 2001, a Serpiá tem transformado vidas, oferecendo atendimento gratuito para crianças e adolescentes em sofrimento psíquico. Com uma equipe multidisciplinar e o apoio de voluntários e doadores, já foram mais de 110 mil atendimentos!
Desde 2001, a Serpiá tem transformado vidas, oferecendo atendimento gratuito para crianças e adolescentes em sofrimento psíquico. Com uma equipe multidisciplinar e o apoio de voluntários e doadores, já foram mais de 110 mil atendimentos!

 Se você quiser ajudar, entre em contato e saiba como apoiar a Serpiá clicando aqui!

Foto: Divulgação

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