A Polícia Federal, em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU), deflagrou nesta terça-feira (29) a Operação Korban, que investiga um possível esquema de fraude em convênios firmados entre o Ministério do Esporte e a Associação Moriá para a realização dos Jogos Estudantis Digitais (Jedis). O prejuízo potencial é estimado em cerca de R$ 15 milhões.

Uma parceria que deveria promover eventos esportivos digitais estudantis no Brasil agora é alvo de suspeitas. A Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União (CGU) deflagraram nesta terça-feira (29) a Operação Korban, que apura fraudes na execução de quatro convênios entre o Ministério do Esporte e a Associação Moriá (AM), com recursos provenientes de emendas parlamentares.
Segundo as investigações, os convênios — celebrados para a realização dos Jogos Estudantis Digitais (Jedis) no Distrito Federal e no Espírito Santo — apresentam indícios de irregularidades graves, como:
- Subcontratações direcionadas a empresas com vínculos suspeitos com a associação;
- Falsificação de orçamentos e cotações prévias;
- Conluio entre empresas terceirizadas, que se alternavam nos papéis de orçadoras e executoras, simulando concorrência;
- Uso de empresas de fachada, sem sede compatível, equipe técnica ou histórico comprovado de prestação de serviços.
A apuração da CGU aponta que o prejuízo potencial chega a R$ 15 milhões, valor que corresponde a 87% do total repassado pelos convênios investigados. As práticas teriam resultado em sobrepreço, subcontratações indevidas e danos à efetividade e transparência na aplicação dos recursos públicos.
O Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou o cumprimento de 16 mandados de busca e apreensão em endereços ligados à Associação Moriá, aos seus dirigentes e a seis empresas contratadas nos projetos.
Procurado, o Ministério do Esporte afirmou, por meio de nota, que “acompanha e apoia a operação” e que “determinou a suspensão imediata de qualquer repasse à Associação Moriá assim que as primeiras suspeitas chegaram à equipe técnica”. A pasta ainda destacou que a destinação dos recursos via emenda parlamentar é de responsabilidade dos congressistas, que também indicam os projetos e entidades beneficiárias.
Embora os parlamentares citados — um senador do Distrito Federal e uma ex-senadora do Espírito Santo — tenham tido emendas destinadas aos convênios, não são alvos da operação.
A investigação segue em andamento para apurar a responsabilidade criminal dos envolvidos e o eventual ressarcimento ao erário.
Fonte: CNN Brasil