Amamentação reduz risco de doenças cardiovasculares nas mães, aponta Sociedade Brasileira de Cardiologia


Especialistas destacam que o aleitamento materno beneficia não apenas o bebê, mas também protege a saúde cardiovascular da mulher. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

A amamentação traz benefícios que vão além da nutrição e do fortalecimento da imunidade do bebê. De acordo com a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), o aleitamento materno também reduz o risco de doenças cardiovasculares nas mulheres, contribuindo para a prevenção de infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e outras complicações.

Segundo a vice-presidente do Departamento de Cardiologia da Mulher da SBC, Alexandra Oliveira de Mesquita, mulheres que amamentam apresentam cerca de 11% menos risco de desenvolver doenças cardiovasculares em comparação àquelas que não amamentam. Estudos também apontam redução de 12% no risco de AVC e de 14% na ocorrência de infarto, especialmente entre mães que mantêm a amamentação por períodos mais prolongados.

Os benefícios estão relacionados às mudanças metabólicas que ocorrem durante a lactação. Após a gestação, a produção de leite contribui para regular os níveis de glicose, aumentar a sensibilidade à insulina e utilizar as reservas de gordura acumuladas durante a gravidez. Além disso, reduz a pressão arterial e a frequência cardíaca, diminuindo o esforço do coração.

A produção de leite também estimula a liberação de hormônios como a ocitocina, conhecida como o “hormônio do amor”, que promove a dilatação dos vasos sanguíneos, melhora a circulação e oferece proteção ao músculo cardíaco. Esse conjunto de alterações favorece a recuperação do organismo materno após a gestação.

Apesar dos resultados positivos, a cardiologista ressalta que a mulher que não amamenta não deve ser considerada automaticamente mais suscetível às doenças cardiovasculares, já que diversos outros fatores influenciam a saúde do coração.

A SBC lembra ainda que as doenças cardiovasculares representam a principal causa de morte entre as mulheres no Brasil, respondendo por cerca de um terço dos óbitos femininos, índice superior ao registrado pelo câncer de mama.

A divulgação dos dados integra as ações da Semana Mundial do Aleitamento Materno e da campanha Agosto Dourado, que neste ano destaca a importância da amamentação para um início de vida mais saudável e sustentável. Além dos benefícios para a mãe, o aleitamento materno favorece o desenvolvimento infantil, fortalece o vínculo entre mãe e filho, contribui para a recuperação pós-parto e ajuda na prevenção de diversas doenças.

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