
O Centro de Convivência Monte Castelo abriu suas portas nesta terça-feira (02) para receber mais uma edição do Projeto Reciclarte, idealizado pelo artista plástico Rogério Aquino e realizado com o apoio de seu amigo Orlando Sousa. Em meio a tintas e pincéis, idosos do bairro transformaram simples superfícies em expressões de vida, memória e renovação — provando que nunca é tarde para reinventar-se pela arte.
A ARTE COMO REENCONTRO COM A VIDA
Para os idosos, a pintura vai além de cor e traço. Cada pincelada resgata lembranças, acalma a mente e cria um espaço de leveza. “Quando você se depara com a arte, você assume um outro personagem que estava preso dentro da gente”, explica Rogério. A proposta do projeto é simples e poderosa: reciclar materiais e, ao mesmo tempo, reciclar vidas.

UM CAMINHO DE TRANSFORMAÇÃO
Criado no ano 2000, o Reciclarte nasceu do incômodo diante do lixo acumulado nas estradas. Desde então, se transformou em um movimento artístico e social, presente em escolas, centros de convivência e até em iniciativas ambientais, como o Colombo Lixo Zero. Para Rogério, a arte é capaz de mudar a forma como cada pessoa olha para o mundo. “O mundo muda a cada gesto teu”, resume.
HISTÓRIAS QUE GANHAM NOVOS TRAÇOS
Entre os participantes, histórias de superação se misturam à alegria de aprender. Dona Raquel Souza Santana Conceição, de 75 anos, descobriu a pintura apenas após a aposentadoria. “Esse projeto foi a melhor coisa que inventaram para a gente idosa. Depois que a gente para de trabalhar, fica dentro de casa. Aqui, eu aprendi muita coisa e me sinto viva de novo”, conta.

A gestora Rosemary de Oliveira, responsável pelo serviço de convivência intergeracional, reforça a importância das atividades. “Eles têm compromisso com o centro. Mesmo quando não podem vir, ligam para avisar. Isso mostra o quanto a arte e as experiências coletivas fortalecem os vínculos e dão sentido à rotina deles.”
UMA GALERIA A CÉU ABERTO
Além da vivência pessoal, o projeto deixa marcas visíveis na cidade. As lixeiras pintadas pelos idosos serão instaladas na avenida principal do bairro, transformando o espaço urbano em uma galeria de arte funcional. Para Rogério, esse é o símbolo da transformação: “Não importa se antes era professora ou faxineira, aqui todos são artistas. E suas assinaturas vão enfeitar as ruas da comunidade.”