ASSOCIAÇÃO DOS AUTISTAS DE COLOMBO: UMA LUTA PELA INCLUSÃO E ACOLHIMENTO

Dia Mundial do Autismo, Associação dos Autistas de Colombo

Foto: Andreza dos Santos
Foto: Andreza dos Santos

 

No dia 2 de abril, o mundo celebra o Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo, uma data instituída pela ONU em 2007 para promover a inclusão e os direitos das pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Mas para quem vive essa realidade, a conscientização precisa acontecer todos os dias. Em Colombo, essa luta tem um rosto: a Associação dos Autistas de Colombo, um espaço de acolhimento e suporte para mais de mil famílias.

“A associação nasceu de um grupo de mães no WhatsApp, há mais de 10 anos”, conta Luana Carolina e Claucio da Silva, vice-presidente e uma das fundadoras. “No papel, formalizamos tudo há três anos, mas a luta vem de muito antes. Desde então, nosso objetivo é garantir direitos e melhorar a qualidade de vida dos autistas e de suas famílias”.

Inclusão e desafios em Colombo

Nos últimos anos, Colombo avançou muito na inclusão, e a Associação teve um papel fundamental. “Antes, não tínhamos abertura, hoje conseguimos trabalhar diretamente com a Prefeitura, a Secretaria de Educação, a Secretaria de Saúde e o Serviço Social”, explica Luana. Além disso, eventos importantes como a Festa da Uva passaram a contar com espaços de inclusão para autistas.

Apesar das conquistas, ainda há muitos desafios. O primeiro é o preconceito, que muitas vezes começa dentro da própria família. “Infelizmente, 90% das mães que atendemos são mãe solo. Muitos pais abandonam seus filhos após o diagnóstico”, lamenta Luana. Esse abandono, somado à sobrecarga emocional e financeira, faz com que essas mulheres estejam em um estado de estresse comparável ao de soldados em combate.

Outra grande barreira está na saúde. “Hoje, muitos enxergam o autismo como um mercado, e não como uma questão humana. A luta por neuropsicólogos e terapeutas é constante”, destaca Luana. Já na educação, a falta de profissionais capacitados e de suporte adequado é um problema recorrente. “Inclusão não é apenas colocar uma criança autista em sala de aula. É garantir equidade, com o suporte que ela precisa para realmente aprender”.

Acolhimento e busca por apoio

A principal missão da Associação é acolher as famílias. “Atendemos quem acabou de receber o diagnóstico, quem já convive com o TEA há anos e até adultos diagnosticados tardiamente”, explica Luana. A Associação promove rodas de conversa, oferece terapias a preço social e busca parcerias para ampliar o suporte.

Por enquanto, as atividades são mantidas por voluntariado e doações. “Ainda não temos utilidade pública, mas estamos lutando por isso, pois precisamos de mais recursos para manter nosso espaço e ampliar o atendimento”, conta Luana.

A parceria com a APAE também é um ponto forte. “Muitas das nossas crianças estudam lá, e queremos estreitar ainda mais essa relação para melhorar a qualidade de vida delas”.

Conscientização que vai além do 2 de abril

O Dia Mundial da Conscientização sobre o Autismo tem ajudado a trazer visibilidade para a causa, mas ainda há muito o que fazer. “Hoje, as pessoas reconhecem o símbolo do autismo e há mais respeito, mas isso não significa que a luta acabou. Muitos ainda não entendem a necessidade de prioridades, como nas filas de supermercados e bancos”, afirma Luana.

 

A batalha por direitos é constante, e a Associação dos Autistas de Colombo segue firme nesse caminho. “Não podemos aceitar apenas uma data simbólica. Inclusão é sobre garantir condições reais para que cada autista tenha a oportunidade de se desenvolver e viver com dignidade”.

Foto: Andreza dos Santos

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