Por: Aroldo Antonio Glomb Junior
Com o tema Municípios Antirracistas no Paraná em alta, como bem o Metropolitano JC destacou esses dias, um caso indignante aconteceu bem diante dos nossos olhos: em Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba, no Paraná, a vereadora Edna Sousa, conhecida como Miss Preta, do PT, denunciou à polícia ataques racistas recebidos diretamente nas redes sociais. Um boletim de ocorrência foi registrado pela vereadora na Delegacia de Polícia Civil do município na terça-feira, 18 de março, dia do ataque nas redes sociais, abrindo de vez um inquérito para investigar o que aconteceu.
A mensagem foi enviada pelo Instagram por um perfil que ela suspeita ser falso. Na ocasião, a Miss Preta foi chamada de “macaca preta” e recebeu emojis de banana. A vereadora não perdeu tempo e publicou um vídeo nas redes sociais, repudiando as ofensas e pontuando que o racismo não pode ficar impune:
Conversamos coma vereadora a respeito deste caso. Confira!
Metropolitano JC: Diga o que aconteceu para nossos leitores
Miss Preta: No dia 18 de março de 2025, sofri um ataque de injúria racial, via direct nas redes sociais e no dia 24 de março, também via direct nas redes sociais, recebi outra mensagem com teor mais grave. Além da injúria, esta mensagem do dia 24 trouxe a tentativa de intimidação para que abandonasse o mandato de vereadora, ameaças de morte e referências a outra parlamentar assassinada. A Referência foi uma tentativa de me causar medo.
Metropolitano JC: Quem você julga estar envolvido nessas ações?
Miss Preta: Quem trará essas respostas serão as investigações em andamento pelos órgãos competentes.
Metropolitano JC: Qual foi a repercussão nas redes sociais?
Miss Preta: Recebi muitas mensagens de apoio e solidariedade.
Metropolitano JC: Quais as medidas que você está tomando legalmente?
Miss Preta: Foi registrado boletim na Polícia Civil que já iniciou as investigações e já foi encaminhado a Presidência da Câmara Municipal de Pinhais uma série de pedidos de providências em relação a segurança, um deles de que se faça o pedido de medida cautelar.
Metropolitano JC: Qual foi o posicionamento da Câmara dos Vereadores?
Miss Preta: A Câmara manifestou uma moção de repúdio lida em sessão plenária de 25 de março de 2025.
Metropolitano JC: Nessa pegada de Municípios Antiracistas, atitudes ridiculas como essa atrapalham até que ponto?
Miss Preta: Casos como esse demonstram o quanto ainda temos que avançar em relação a educação antirracista, combate ao racismo e a violência política. É um aviso claro da urgência de implementação séria e objetiva de políticas antirracistas. Sei que uma mulher preta ocupando espaço de poder é um incômodo a forças reacionárias, mas situações como estas não vão me intimidar e impedir minha atuação parlamentar. Não vão me impedir de atuar em prol da população.
Metropolitano JC: Como você se sente após esses ataques?
Miss Preta: Com mais força para continuar o trabalho que venho desenvolvendo. Um trabalho que já vem gerando impacto na política do município.
Posicionamento da Câmara dos Vereadores
A Câmara dos Vereadores de Pinhais manifestou uma moção de repúdio lida em sessão plenária de 25 de março de 2025. Em nota oficial assinada por Anderson Roberto Camargo, Presidente da Câmara Municipal de Pinhais, o órgão informou publicamente que:
“… quanto ao possível ato de injúria racial cometido contra a vereadora no exercício de mandato, [a Câmara] repudia qualquer forma de discriminação, seja por gênero, orientação sexual, religião, raça, ideologia, origem étnica ou diversidade funcional. Em proteção aos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório, aguardará a apuração dos fatos pelas autoridades competentes.”

História de Lutas
O histórico de Miss Preta deixa evidente que o silêncio não será uma opção. Eleita em 2024 para seu primeiro mandato, Miss Preta recebeu 1.608 votos e entrou para a história como a vereadora mais votada de Pinhais.
Nascida e criada no assentamento Zumbi dos Palmares, do MST, Edna resolveu mudar sua vida para a política em 2017, quando sofreu racismo em um shopping onde trabalhava.
Edna participou da Marcha do Orgulho Crespo e disputou o Miss Pinhais para dar vez a outras meninas pretas se destacarem. Foi justamente nesse momento que Edna sofreu racismo, bem no mundo da moda, quando sua estética foi atacada e considerada inadequada.
Desde então, Edna organizou projetos e eventos em Pinhais para encorajar mulheres que pudessem sofrer o mesmo racismo, além de lutar pelo protagonismo de pessoas pretas e pelo ensino de crianças e adolescentes nas escolas com uma educação efetivamente antirracista, focada no combate à violência de gênero e ao abuso infantil.
Fotos: Divulgação