No dia 2 de abril, o mundo celebrou o Dia Mundial de Conscientização do Autismo, uma data fundamental para dar visibilidade à causa e promover mais inclusão e respeito às pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Para entender os desafios enfrentados pelas famílias e conhecer o trabalho realizado em prol da comunidade autista em Colombo, o Metropolitano JC entrevistou Adriana Mendes, presidente da Associação dos Autistas de Colombo (AAC). Mãe de um jovem autista de 20 anos, Adriana está à frente da associação desde sua fundação, em 2022, e luta diariamente para garantir apoio, orientação e acesso a tratamentos para centenas de famílias na cidade.
Metropolitano JC: Conte um pouco sobre sua trajetória e como surgiu a Associação dos Autistas de Colombo.
Adriana Mendes: Sou mãe de um autista que completa 20 anos este ano e estou nessa luta há muito tempo. Meu filho foi diagnosticado com autismo aos dois anos, e desde então venho me dedicando à causa. A Associação dos Autistas de Colombo (AAC) foi fundada em 22 de maio de 2022 com o propósito de apoiar as famílias que enfrentam os desafios do diagnóstico e do tratamento do autismo.
Atualmente, temos uma sede no bairro São Gabriel, na Rua Castro Alves, número 330. No entanto, nosso maior desafio é atender à enorme demanda. Hoje conseguimos atender apenas 150 crianças, mas temos mais de mil famílias cadastradas, e muitas delas não têm condições de pagar por terapias, nem mesmo os valores sociais que conseguimos oferecer.
Metropolitano JC: Quais são os principais desafios que a AAC enfrenta atualmente?
Adriana Mendes: Sem dúvida, o maior desafio é a falta de espaço físico e de estrutura adequada. Apesar de termos uma equipe multidisciplinar com psicólogos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, psicopedagogos e outros profissionais, não temos salas suficientes para que eles realizem seus atendimentos.
Outro grande obstáculo é o custo da manutenção. Hoje pagamos aluguel e, se conseguíssemos um espaço cedido ou doado, poderíamos atender um número muito maior de crianças e famílias, especialmente aquelas que não podem pagar pelos serviços.
Além disso, também enfrentamos desafios na conscientização e na divulgação da nossa associação. Muitas famílias que precisam de apoio nem sabem que existimos. Precisamos de mais visibilidade para alcançar essas pessoas e garantir que tenham acesso aos serviços e ao acolhimento que oferecemos.
Metropolitano JC: Quantas famílias são atendidas atualmente pela AAC?
Adriana Mendes: Hoje atendemos mais de mil famílias cadastradas, e esse número só cresce. Há famílias com dois, três filhos autistas, o que aumenta ainda mais a demanda pelos nossos serviços.
Nosso trabalho vai muito além das redes sociais ou de grupos de WhatsApp. Acolhemos crianças, adolescentes e adultos autistas, fornecendo orientação jurídica, auxílio na busca por laudos médicos e terapias especializadas. Também temos parcerias com médicos em Curitiba para ajudar as famílias que ainda não possuem diagnóstico a obtê-lo de forma mais acessível.
Além das terapias, temos projetos como o “Cuidando de Quem Cuida”, voltado para mães e responsáveis. Esse projeto oferece atendimento terapêutico, palestras e acolhimento, pois sabemos que o impacto do autismo não é apenas na criança, mas em toda a família.
Metropolitano JC: Qual a importância do Dia Mundial de Conscientização do Autismo para a causa?
Adriana Mendes: O 2 de abril é um dia fundamental para dar visibilidade à causa e levar informação para a sociedade. O tema deste ano da ONU é “Informação gera empatia, empatia gera respeito”, e isso resume bem o nosso propósito.
Se conseguirmos levar conhecimento para todas as pessoas, especialmente nos órgãos públicos e nas escolas, teremos mais respeito e dignidade para as famílias autistas. Muitas vezes, essas famílias enfrentam dificuldades em atendimentos médicos, na educação e até mesmo na inclusão social por falta de informação dos profissionais e da comunidade.
Por isso, ao longo de abril, realizamos um trabalho intenso de conscientização em escolas, postos de saúde e outros espaços, levando informações de forma simples e objetiva para educadores, profissionais de saúde e para a sociedade em geral.
Metropolitano JC: Além do atendimento terapêutico, a associação também promove atividades de lazer para os autistas?
Adriana Mendes: Sim! Acreditamos que o lazer também faz parte do desenvolvimento e da qualidade de vida dos autistas.
Todos os anos, participamos de uma iniciativa especial do Parque Beto Carrero World, que abre suas portas para instituições de todo o Paraná. Levamos as crianças e suas famílias para um dia inesquecível no parque.
Além disso, recentemente, no dia 9 de março, organizamos um passeio para um parque aquático, levando dois ônibus cheios de famílias autistas para um dia de diversão e inclusão. Essas atividades são fundamentais para proporcionar momentos de alegria e integração para os autistas e suas famílias.
Metropolitano JC: Como funciona a carteirinha CIPTEA e por que é importante divulgá-la?
Adriana Mendes: A CIPTEA (Carteira de Identificação da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista) foi criada em Colombo para garantir direitos às pessoas autistas. No entanto, a adesão ainda é muito baixa, principalmente por falta de divulgação.
Se conseguirmos divulgar mais essa carteirinha, poderemos mapear com mais precisão quantos autistas existem no município e, assim, buscar políticas públicas mais eficientes para atender essa população.
Metropolitano JC: Quem quiser ajudar a AAC, como pode entrar em contato?
Adriana Mendes: Quem quiser contribuir, seja com doações, trabalho voluntário ou qualquer outra forma de apoio, pode entrar em contato diretamente comigo pelo telefone (41) 9514-1088.
Também estamos no Instagram (@autistasdecolombo), onde compartilhamos nosso trabalho e novidades da associação. Qualquer ajuda é bem-vinda, seja financeira, com materiais, ou até mesmo na divulgação da nossa causa e, para doações, temos nosso Pix pela chave do CNPJ 48.676.355/000-2.1
Metropolitano JC: Para finalizar, qual a principal mensagem que você gostaria de deixar para a comunidade?
Adriana Mendes: Nossa principal missão na Associação dos Autistas de Colombo é levar amor, conhecimento e esperança para as famílias. Queremos fortalecer a rede de apoio e garantir que todos tenham acesso à informação e aos serviços que precisam.Se cada um fizer a sua parte, seja divulgando, apoiando ou simplesmente respeitando e acolhendo as famílias autistas, teremos uma sociedade muito mais inclusiva e empática..
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