PRESIDENTE DA APAE COLOMBO FALA SOBRE DIA MUNDIAL DE CONSCIENTIZAÇÃO SOBRE O AUTISMO

autismo, inclusão, APAE Colombo

Virgínia Lani dos Santos Castro Briche, ao centro Foto: Andreza dos Santos
Virgínia Lani dos Santos Castro Briche, ao centro Foto: Andreza dos Santos

Neste dia 02 de abril, quando se comemora o Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo, data criada em 2007 pela ONU para promover a inclusão e os direitos das pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), conversamos com Virgínia Lani dos Santos Castro Briche, presidente da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais, APAE de Colombo, durante a celebração deste dia importante.

Como a APAE Colombo realizou uma comemoração especial neste, a presidente nos recebeu para uma conversa franca sobre questões sensíveis que envolvem autismo no mundo e em Colombo.

Metropolitano JC: Virgínia, percebemos que existem pequenas vitórias no dia a dia da inclusão, como a demarcação de vagas de estacionamento e caixas preferenciais em supermercados. Como você enxerga essa evolução e o que mudou desde que você chegou à APAE?

Virgínia Briche: Eu estou na APAE há três anos, e nesse tempo vi muitas mudanças. Quando minha filha começou a frequentar, por exemplo, não havia logotipos nos transportes. Hoje, essa sinalização ajuda muito. Uso também a credencial de estacionamento fornecida pela prefeitura, o que facilita muito no dia a dia. Ainda assim, a inclusão precisa ser mais abrangente. Pequenas iniciativas fazem uma grande diferença, como as caixas preferenciais nos mercados e a disponibilidade de assentos nos ônibus. O importante é lembrar que não se trata apenas de crianças autistas; elas crescem e viram adultos, e a sociedade precisa estar preparada para essa evolução.

Metropolitano JC: Quais são os principais desafios ainda enfrentados por pais e autistas na busca por uma maior inclusão?

Virgínia Briche: O maior problema, sem dúvida, é a falta de neuropediatras no SUS. O acesso a diagnóstico e tratamento ainda é muito limitado. Os pais precisam pagar consultas, terapias e medicamentos, que nem sempre estão disponíveis pelo sistema público. Se houvesse mais acesso a esses serviços, a qualidade de vida das crianças e famílias melhoraria significativamente.

Metropolitano JC: A sociedade está mais consciente sobre o autismo hoje do que no passado?

Virgínia Briche: Sim, sinto que há mais conscientização. Hoje mesmo, peguei um Uber e o motorista reconheceu nossa farda e disse: “Eu sei que dia é hoje.” Isso me emocionou. Antes, as pessoas olhavam torto para crianças com autismo. Agora, a informação está se espalhando, e as pessoas entendem melhor a necessidade de respeito e paciência.

 Foto: Andreza dos Santos
Foto: Andreza dos Santos

Metropolitano JC: E sobre o futuro? Como está sendo feito o preparo das crianças autistas para a vida adulta?

Virgínia Briche: No começo, foi difícil. Minha filha, Isadora Castro Briche, quando chegou à APAE, não falava, usava fralda e estava aprendendo a andar. Aqui, ela aprendeu a ser mais independente. A primeira professora que pegou na mãozinha dela e disse “Você consegue sozinha” fez toda a diferença. Aprendeu a abraçar, a se alimentar sozinha, a socializar. Hoje, atendemos 248 crianças e cada uma delas tem sua própria história de superação.

Metropolitano JC: Como os pais interagem com a APAE? Eles trazem novas ideias?

Virgínia Briche: Ainda não recebemos muitas ideias, mas somos muito bem abraçados pelos pais. O vínculo entre famílias e professores é forte. Aqui, os professores se reinventam todos os dias para tornar o ambiente melhor para os alunos.

Metropolitano JC: E o poder público? Como ele apoia a APAE Colombo?

Virgínia Briche: Temos vereadores que são parceiros frequentes, sempre nos apoiam, especialmente nas festas. Mas, claro, sempre precisamos de mais apoio e investimentos.

Metropolitano JC: Qual a sua importância no Dia Mundial de Conscientização do Autismo?

Virgínia Briche: Para mim, o autismo precisa ser lembrado todos os dias. Essa data existe para dar mais visibilidade à condição, reforçar a empatia e o respeito. Antes, era raro encontrar crianças diagnosticadas. Hoje, vemos o diagnóstico se tornando mais comum, o que é positivo, pois significa que mais famílias estão buscando e recebendo apoio.

Metropolitano JC: Para quem quiser ajudar a APAE Colombo, como fazer?

Virgínia Briche: Precisamos muito de padrinhos. Qualquer pessoa pode ajudar indo até a APAE e se cadastrando. Também aceitamos doações, seja de produtos ou de tempo. Temos eventos como a Feijoada Solidária e, agora, a Páscoa Solidária, onde precisamos de chocolate para deixar as crianças felizes. Além disso, no Natal, temos o projeto de cartinhas para presentear as crianças, e as
farmácias Ponto Popular, nossas parceiras, nos ajudam a distribuir.

Metropolitano JC: Qual o contato para doações?

Virgínia Briche: Pode entrar em contato pelas redes sociais da APAE Colombo, no Facebook e Instagram. As doações podem ser feitas diretamente na unidade ou através das farmácias Ponto Popular.

Foto: Andreza dos Santos

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