Mulheres privadas de liberdade transformam a rotina na prisão ao confeccionar próteses capilares para pacientes em tratamento contra o câncer, unindo capacitação profissional e solidariedade.

O projeto Liberdade em Fios, idealizado pela Polícia Penal do Paraná (PPPR), está mudando a vida de mulheres privadas de liberdade ao unir capacitação profissional e reintegração social com solidariedade. Por meio da confecção manual de próteses capilares, as custodiadas colaboram com pacientes em tratamento oncológico, ao mesmo tempo em que desenvolvem habilidades que podem abrir portas para novas oportunidades fora do sistema penal.
“Ao oferecer capacitação profissional e oportunidades de aprendizado contribuímos para que as pessoas privadas de liberdade tenham condições de reconstruir suas trajetórias e buscarem reinserção na sociedade”, afirma a diretora-geral da PPPR, Ananda Chalegre dos Santos.
“Nosso compromisso é apoiar iniciativas que beneficiem a comunidade e promovam dignidade, inclusão e cidadania”.
DOAÇÃO E SOLIDARIEDADE EM AÇÃO
As próteses são confeccionadas manualmente pelas mulheres da Cadeia Pública de Goioerê, utilizando fios de cabelo doados por internas de Goioerê, Altônia e Piraquara, além de contribuições da Uopeccan – Unidade de Oncologia de Umuarama. O início do projeto foi marcado por um curso de capacitação ministrado pelo Instituto Jéssica Cara, com apoio do Rotaract Club de Goioerê.
Para o coordenador regional da PPPR em Umuarama, Arnobe Lemes, a ação vai além do aprendizado técnico.
“Ressocializar também é permitir que as pessoas se reconectem com o lado humano que há nelas. E nada é mais humano do que ajudar o próximo”, destaca.
RESULTADOS E PERSPECTIVAS DE EXPANSÃO
Desde a implantação, cerca de 20 próteses já foram confeccionadas, com 12 entregas realizadas a pacientes da Uopeccan, enquanto outras seguem em fase de finalização. A iniciativa deve se expandir, ampliando a participação das custodiadas e destinando próteses para hospitais em diferentes regiões do Estado, conforme aumentem as doações de cabelo.
Responsável pela coordenação do projeto e gestora da Cadeia Pública de Goioerê, Janaina Montenegro comemora os avanços.
“Começamos com poucos materiais e muitos sonhos. As internas estão orgulhosas e agradecidas por poder contribuir com algo tão significativo”, afirma.