SUS pode incorporar PrEP injetável para prevenção do HIV ainda este ano


Ministério da Saúde encaminhará pedido para incluir o cabotegravir no SUS; medicamento é aplicado a cada dois meses e amplia as opções de prevenção ao HIV. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

O Ministério da Saúde deve encaminhar, nos próximos dias, o pedido para incorporar ao Sistema Único de Saúde (SUS) o cabotegravir, medicamento injetável utilizado na profilaxia pré-exposição (PrEP) ao HIV. A proposta será analisada pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), responsável por avaliar a eficácia, segurança e custo-benefício de novas tecnologias antes de sua adoção na rede pública.

O cabotegravir é uma alternativa à PrEP oral, já oferecida gratuitamente pelo SUS. Enquanto os comprimidos precisam ser tomados diariamente, a versão injetável é aplicada a cada dois meses, oferecendo proteção prolongada contra a infecção pelo HIV e favorecendo a adesão ao tratamento.

Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, o governo negocia com a farmacêutica GSK o preço do medicamento e a quantidade de doses que serão adquiridas. A expectativa é que a incorporação possa ocorrer ainda em 2026, caso o processo de avaliação seja concluído.

Durante a 26ª Conferência Internacional de Aids, realizada no Rio de Janeiro, Padilha afirmou que o governo busca garantir acesso às novas tecnologias sem comprometer a sustentabilidade do sistema público. Por esse motivo, o Ministério optou por priorizar o cabotegravir em vez do lenacapavir, medicamento que oferece proteção por até seis meses, mas cujo custo foi considerado inviável nas negociações com a fabricante.

Atualmente, mais de 350 mil pessoas utilizam a PrEP oral no Brasil. Estudos realizados pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) apontam alta aceitação da versão injetável: em pesquisa com cerca de 1,4 mil participantes, 83% preferiram o medicamento aplicado por injeção e 94% compareceram às aplicações dentro do prazo recomendado, mantendo a proteção ao longo do tratamento. Nenhum dos participantes foi infectado pelo HIV durante o estudo.

Caso seja aprovada, a nova tecnologia ampliará as estratégias de prevenção disponíveis no SUS, oferecendo mais uma alternativa para pessoas com maior risco de exposição ao vírus.

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